quinta-feira, agosto 30, 2012

Fortalezas inexpugnáveis


«Se uma “situação revolucionária” se caracteriza pela desintegração psicológica e moral de todas as forças de resistência a tal ponto que um punhado de insurrectos mal armados se tornam capazes de conquistar as fortalezas tidas por mais inexpugnáveis da reacção, então a «situação fascista» é o seu paralelo exacto – sendo a diferença que, com ela, são os baluartes da democracia e das liberdades constitucionais que são conquistados, ao mesmo tempo que as suas defesas caem e falham do mesmo modo espectacular.»

Karl Polanyi (1944), A Grande Transformação, Edições 70, 2012, p. 446


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Em Portugal, na década de 20 do século XX, assistimos a uma “desintegração psicológica e moral” da Iª República e ao cansaço da população motivado pela contínua instabilidade política. Essa situação facilitou a ascensão da ditadura que serviu de incubadora ao Estado Novo. Digamos que a Iª República caiu de podre e deu lugar ao Estado Novo. O Estado Novo, por sua vez, caiu de podre no 25 de Abril de 1974 e deu lugar à IIIª República.

A questão que se coloca é a seguinte: quando irá a IIIª República cair de podre?

Talvez estejamos ainda longe dessa data, mas já algo começa a cheirar mal, e não é no reino da Dinamarca.
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PS - A propósito, deparei, por acaso, com este post no Ouriço. AQUI.

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